quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz 2010


À todos os povos de peles de lindas cores
aos alimentos e seus sabores
e valores
às dores e temores
que te ensinam por onde fores
como professores
aos amigos e aos amores,
à alegria e seus semeadores
sólidos, líquidos e vapores
aos transformadores
aos apaziguadores
aos nossos antecessores
e sucessores
criado e criadores
às flores
enfim,
à todo espetáculo da vida e nós,
seus atores,

OBRIGADO!
Um feliz ano novo repleto de amor e paz.Muito pensamento positivo e atitude, que coloquemos em pratica nosso aprendizado por um mundo melhor!

domingo, 27 de dezembro de 2009

Banheira de carbono

É simples: enquanto despejarmos CO2 na atmosfera mais rápido do que a natureza se livrar dele pelo ralo, a temperatura do planeta vai continuar subindo. Pois esse carbono extra leva muito tempo para ser eliminado.




Uma falha humana básica, segundo John Sterman, atrapalha ações contra o aquecimento global. Sterman fala de uma limitação cognitiva, "um problema no raciocínio humano", que constatou em testes com alunos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês). Professor de dinâmica de sistemas, Sterman diz que seus alunos, embora acostumados a lidar com cálculos, não têm compreensão intuitiva de um sistema ao mesmo tempo simples e crucial: uma banheira.

Pense em uma banheira na qual a torneira e o ralo estão abertos. O nível de água pode representar fatores do mundo moderno. Um deles é o total de dióxido de carbono na atmosfera da Terra. Outros dois são a cintura de uma pessoa e o débito em seu cartão de crédito. Em todos esses três casos, o nível de água na banheira só diminui quando a vazão pelo ralo é maior que a entrada de água pela torneira - ou seja, quando queimamos mais calorias do que ingerimos ou quando saldamos débitos antigos com maior rapidez do que contraímos dívidas.

As plantas, os oceanos e as rochas drenam o carbono da atmosfera, mas em ritmo lento. Serão precisos centenas de anos para que seja removida a maior parte de CO2 que os seres humanos jogam na banheira, e centenas de milhares para ser eliminado. A interrupção do aumento de CO2, portanto, exigirá cortes brutais nas emissões de carros, termelétricas e fábricas, até que a entrada de água na banheira seja inferior à vazão do ralo.

A maioria dos alunos de Sterman não entende isso, ao menos quando o problema é descrito com a terminologia referente às questões climáticas. Eles imaginavam que o mero congelamento das emissões em seus atuais níveis evitaria o aumento de CO2 na atmosfera – como se a água que escorre de uma torneira em ritmo constante não pudesse provocar o transbordamento da banheira. Se alunos de uma escola tão prestigiosa quanto o MIT não entendem o que está em jogo, é provável que o mesmo ocorra com a maioria dos políticos.

Até 2008, o índice de CO2 na banheira era de 385 partes por milhão (ppm) e aumentava no ritmo de 2 ou 3 ppm por ano. Segundo Sterman, para estabilizar esse crescimento em 450 ppm, número que os cientistas consideram alto, o mundo teria de reduzir as emissões em 80% até 2050. Neste mês, quando diplomatas estiverem estiveram reunidos em Copenhagen para negociar um tratado sobre o clima, Sterman estará estava lá com seus programas informatizados que mostram de maneira imediata como os cortes de emissões propostos afetariam o nível na banheira - e, portanto, a temperatura do planeta. Em geral, no fim de seu curso, os alunos entendem bem melhor a dinâmica da banheira - e esse é um motivo de esperança. "As pessoas podem aprender isso", diz ele.




Veja o infográfico sobre a "teoria da banheira", clicando aqui.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Ser um Ser Humano


Saindo um pouco sobre o assunto de Copenhague, mas não ficando tão distante dele no que diz em ter esperança e que tudo vai dar certo, que as metas serão alcançadas e temos muito a fazer.Achei um texto muito bacana falando um pouco sobre o Ser Humano.Vale a pena conferir!



Há séculos rola uma filosofia importante e bonita que ( mal resumidamente) nos diz que tudo o que acontece vem para o nosso bem.Essa verdade elementar da natureza já foi sacada por vários sábios ao longo da história da humanidade.Seja lá qual for sua crença e até mesmo não crendo em nada, temos que concordar que essa "lei", de que tudo acontece para o nosso bem, é muito confortante para qualquer ser humano diante das adversidades e perrengues que a vida impõe a todos.Eu,particularmente, acredito nisso:que toda mudança é pra melhor, e que todos os percalços são para o nosso aprendizado.Portanto:tudo vem para o nosso bem.

Mas, limitados que somos ainda, estamos sujeitos às confusões da interpretação.Muitas descobertas, sacadas e ensinamentos adquiridos pela humanidade através dos tempos foram e são, até hoje erroneamente interpretados."Opa!Erroneamente?Então você está admitindo a existência de um certo e um errado?"

Sim.Dentro da relatividade que abraça tudo( como nos provou aquele malucaço genial da língua pra fora), existe o certo e o errado,o bem e o mal,a vida e a morte, todas as outras dualidades caracteristicas desse mundo em que nos encontramos.

Aí, aquela pulguinha rebelde atrás da orelha joga a ideia na cabeça:"Mas se tudo vem para o bem, logo o mal não existe.Não preciso me preocupar.Tudo é perfeito e maravilhoso!"

Sem dúvida, tudo é lindo, perfeito e maravilhoso.Mas atenção:Saber que tudo o que nos acontece vem para o nosso bem não nos exime da responsabilidade que nos cabe desde o primeiro segundo em que saímos da barriga da nossa mãe.A responsabilidade do direito da escolha , da faculdade de pensar , da capacidade de discernir, que nos torna diferentes( mas nem por isso melhores) de todos os outros, seres, nossos irmãos desse planeta em que moramos.
Por poder raciocinar, escolher e arbitrar, somos senhores dos nosso atos.Por esse motivo devemos, além de agradecer, respeitar e fazer valer esse dom que nos foi dado.Pra que você pensa?Pra que você tem iniciativa e vontade?A resposta pode variar muito de pessoas para pessoa,mas parece óbvio que para todo mundo que algum motivo para isso existe.Negar essa parada, é colocar o ser humano na condição de máquina sem criatividade e sem poder de decisão.Juntamente duas caracteristicas que definem essa espécie.é negligenciar o que qualquer ciência admite:que toda ação tem uma consequência.é jogar no lixo essa coisa tão preciosa e bonita que a natureza nos deu:o livre-arbítrio.
Portanto, saber que tudo vem para o nosso bem não pode servir de desculpa para a nossa apatia, preguiça e covardia diante da responsabilidade que a vida nos cobra.Tudo é lindo e perfeito, mas nós também somos responsáveis por essa perfeição.O passado nunca poderá ser mudado, e tudo o que ele trouxe foi para o seu bem.Mas o futuro é a nuvem de infinitas possibilidades que se apresenta diante de você esperando as suas atitudes e decisões para virar a realidade.Dentro dessas possibilidades existem as que vão te ajudar mais ou te atrapalhar mais.Consequentemente,ajudando e atrapalhando aos seus semelhantes que tão aí na sua volta.

Então fica esperto meu/minha camarada!Você é inteligente,você tem tarefas,você tem responsabilidades.Além de ser tudo e ser todos, você é um individuo à parte.
Você é um ser humano!



FORFUN.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Há muito por fazer

Não temos ainda o tratado justo, ambicioso e legalmente vinculante que milhões de pessoas por todo o planeta exigiram. Mas é impossível não sentir uma enorme esperança, vendo um movimento que cresceu tanto, tão rápido.

Os "lideres mundiais" ainda podem fazer o que é preciso, e entregar o que devem à Humanidade. Não esperamos menos, e não aceitaremos menos.

Eles ainda têm muito que fazer. E nós também!

Apesar de mais de 120 "líderes mundiais" terem ido a Copenhague, eles foram incapazes de resolver os obstáculos que bloquearam o caminho para um resultado decente. Desapontamento e decepção são os primeiros sentimentos pelo que eles não fizeram.

Apesar disso, é impossível pensar nas últimas duas semanas e não sentir uma enorme esperança! Vimos ao longo deste ano o rapidíssimo crescimento de um processo de articulação e mobilização social, no Brasil e em todo o planeta, que não arrefecerá. Milhões de pessoas e centenas de organizações, em praticamente todos os países do mundo, estão agora despertas e conectadas em torno da questão do clima, demandando medidas urgentes, com efetividade e justiça climática.

Nós, brasileiros, além de esperança devemos sentir um grande orgulho, pelos resultados de nosso trabalho. Sem sombra de dúvida, a mobilização da qual a campanha TicTacTicTac e seus parceiros são partes fundamentais, foi um fator decisivo na posição adotada pelo Brasil na CoP15, sintetizada no discurso e nas ações do presidente Lula, especialmente nos dias 17 e 18 de dezembro (veja em no site da campanha esse discurso histórico).

Agora, esta é nossa palavra de ordem: Há Muito Por Fazer!

Resumimos assim nossa conclusão sobre a CoP15: os chefes de estado e diplomatas responsáveis por dar à sociedade mundial referências claras e instrumentos efetivos para o combate às mudanças climáticas falharam em Copenhague, e têm um dever a terminar. Também nós, sociedade civil global, temos muito que fazer, para manter a pressão e ampliar a mobilização pelo que queremos e precisamos.

Se ligue no site
www.tictactictac.org.br.

Repasse para todos seus contatos. Insista. Quem ainda não participa do abaixo-assinado, que se una agora ao nosso movimento global!

Saímos da CoP15 com ânimo redobrado. O ceticismo, o desânimo e o derrotismo não destruirão nosso movimento, que reuniu já mais de 15 milhões de assinaturas e colocou 100.000 pessoas marchando em Copenhague dia 12 de dezembro, representando a esperança dos que, em todo o planeta, compartilharam a bandeira da campanha TicTacTicTac / TckTckTck. Colocar 120 "líderes mundiais", reunidos e encurralados pela opinião publica, trabalhando noite adentro para tentar fazer em 2 dias o que deveriam ter feito em 2 anos já foi uma enorme vitória.

O mesmo podemos dizer da inédita atenção que o tema teve das empresas, da mídia, dos políticos e do público em geral. Mesmo ainda sem uma boa base para políticas públicas, são conquistas irreversíveis.

2010 será um ano de muitas realizações. Os "lideres mundiais" ainda podem fazer o que é preciso e entregar o que devem à Humanidade.

Não esperamos menos, e não aceitaremos menos. Eles ainda têm muito que fazer. E nós também!

Fonte:
Campanha TicTacTicTac

sábado, 19 de dezembro de 2009

Nada concreto foi resolvido novamente - COP 15

Encontrei esse artigo que foi publicado no Estadão lá no blog Sustentabilidade é Acção, da Manuela.

COP acaba sem acordo e negociação fica para novembro de 2010

COPENHAGUE - A 15ª Conferência das Nações Unidas (COP-15), que terminou oficialmente neste sábado em Copenhague, ficou sem um texto final depois de o plenário recusar o acordo costurado na noite anterior entre Estados Unidos, Brasil, China, Índia e África do Sul. O documento já era considerado pífio porque não previa metas para os países reduzirem as emissões de gases-estufa até 2020. Trazia só um compromisso de impedir a elevação da temperatura em 2°C, sem dizer como seria atingido.
Com isso, a tentativa de fechar um texto que permitisse que os países, principalmente os desenvolvidos, fossem cobrados internacionalmente pelo cumprimento das metas ficará para 2010, quando está marcada nova reunião no México.
O “acordo de Copenhague”, documento firmado por EUA, China, Brasil, Índia e África do Sul, cristalizou o fracasso de duas semanas de negociações diplomáticas e foi recusado ontem pela manhã. Mesmo com 24 horas de debates além do previsto, o documento, permeado de críticas de delegados, foi denunciado por países em desenvolvimento e acabou rebaixado a um adendo da edição de 2009 da Convenção do Clima (UNFCCC).
(...)
Ao longo da manhã, autoridades internacionais tentaram minimizar o fracasso. Ban Ki-moon, secretário-geral das ONU, afirmou em pronunciamento que “a estrada ainda será muito longa”, mas elogiou o documento.
Yvo de Boer, secretário-geral da UNFCCC, disse não concordar que o “acordo de Copenhague” seja uma ruína e chegou a classificá-lo como “forte”. Ao final, entretanto, cedeu, ao responder a um jornalista britânico sobre as ambições da COP-16, em novembro de 2010: “O que temos de tentar alcançar no México é tudo o que deveríamos ter alcançado aqui.”»

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Lula defende Quioto e pede empenho dos ricos - COP 15

Durante discurso na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender nesta quinta-feira (17/12) a preservação do Protocolo de Quioto e cobrou que países ricos assumam compromissos para um acordo em Copenhague (Dinamarca).


"Aqui em Copenhague não há lugar para conformismo. Os países desenvolvidos devem assumir metas ambiciosas de redução de emissões à altura de suas responsabilidades históricas e do desafio que enfrentamos", disse.

“A hora de agir é essa. O veredicto da história não poupará os que faltarem com suas responsabilidades neste momento”, acrescentou. Lula lamentou que os países com menos responsabilidades pelas emissões de gases de efeito estufa sejam as principais vítimas das alterações climáticas.

Ele lembrou que o Protocolo de Quioto estabelece a obrigatoriedade de financiamento aos países pobres e em desenvolvimento para a execução de projetos na área. Segundo o presidente, será muito difícil reforçar a capacidade de adaptação de nações mais vulneráveis sem um fluxo financeiro como “forte componente”.

"Mecanismos de mercado podem ser muito úteis, mas nunca terão a magnitude ou a previsibilidade que realmente queremos", afirmou o presidente. "Essa conferência não é um jogo em que se podem esconder cartas na manga. Se ficarmos à espera do lance de nossos parceiros, podemos descobrir que é tarde demais. Todos seremos perdedores", completou. Ele destacou que “a fragilidade de alguns não pode servir de pretexto para o recuo de outros”.

Segundo o presidente, não é “politicamente racional” ou “moralmente justificável” que países ricos coloquem interesses corporativos e setoriais acima do bem comum da humanidade.

Fonte: Envolverde - Revista Digital

TicTac-Brasil divulga nota pedindo que Lula quebre unidade do G77

A coordenação da Campanha TicTacTicTac no Brasil divulgou na tarde desta quarta-feira (16/12) uma nota alertando para a necessidade de um posicionamento do presidente Lula na COP-15. A Campanha considera que o prestígio do presidente do Brasil pode “desencadear um efeito dominó positivo, contribuindo positivamente para destravar as negociações”. A nota defende ainda que o Brasil contribua com o fundo de adapatação “com vários bilhões, para romper com a unidade do G77, pressionando a China e outros países emergentes a seguirem o mesmo caminho”. Veja abaixo a integra do documento.

"Lula: é hora de agir pelo clima!

Há pouco mais de dois dias do final da COP-15, a pressão cresce, os ânimos se acirram e os impasses se amontoam. Ao mesmo tempo, com a chegada dos ministros e chefes de estado, começa a fase mais decisiva da Conferência. Nesse momento, a atuação de Lula e seus ministros terá peso decisivo.

Não é ufanismo: o Brasil pode mesmo fazer a diferença neste momento crítico da COP-15. O prestígio de Lula e o peso político de nosso país podem desencadear um “efeito dominó” positivo, contribuindo decisivamente para destravar as negociações. A chave está em nossa contribuição para o fundo de adaptação às mudanças climáticas.

Em sua primeira fala sobre o tema, Dilma manteve um discurso desenvolvimentista e terceiro-mundista à moda antiga. Insistindo que o Brasil só pode avançar no combate às mudanças climáticas se tiver ajuda externa, Dilma mostra um Brasil focado no próprio umbigo, e não nas necessidades globais, comprovadas pela ciência e pela economia. A ministra se coloca no lamentável papel de porta-voz dos ruralistas e de outros setores nacionais apegados aos ganhos de curto-prazo e a um modelo de enriquecimento predatório e insustentável.

O Brasil PRECISA tomar a iniciativa de colocar no Fundo de adaptação não um bilhão de dólares (que "não faz nem cosquinha", segundo Dilma), mas sim vários bilhões, destinados aos países realmente pobres, que quase ou nada emitem e que precisam mesmo de auxílio externo para adaptar-se às mudanças climáticas. Fazendo isso como uma contribuição voluntária o Brasil não romperia a unidade do G77 (mantém a divisão de países conforme está no Protocolo de Quioto) e, ao mesmo tempo, pressionaria China e outros países emergentes a seguirem pelo mesmo caminho ou, pelo menos, a apresentarem propostas concretas em prol do interesse global, como abrir mão dos recursos desse fundo.

Isso acontecendo, cai o argumento dos EUA para não contribuir com este Fundo ("não daremos dinheiro do contribuinte americano para a China", disseram os americanos). Movendo-se os EUA, ficam enfraquecidos também os argumentos da União Européia, do Japão e de outros, que não querem contribuir, se os EUA não fizerem o mesmo. Havendo clareza na constituição do fundo, abre-se o caminho para restabelecimento da confiança dos países africanos e insulares, que com veemência e razão vêm reclamando da falta de compromissos sérios dos países ricos.

Isso ainda credencia o Brasil a manter-se firme nas suas demandas quanto às contribuições de países do Anexo 1 para os demais – inclusive os grandes emergentes - no que tange a recursos de mitigação e transferência de tecnologia.

É um efeito dominó positivo que o Brasil pode e deve causar. É isso que Lula precisa fazer já!

Respaldado pela decisão acima, o Brasil aumenta seu cacife para atuar em outros pontos para os quais já tem excelentes credenciais, no cenário da COP-15:

- Cobrança firme de metas ambiciosas de redução de emissões pelos países ricos: os países em desenvolvimento surpreenderam positivamente ao apresentar suas metas. Frente a um gesto de grandeza do Brasil (“olhar para o mundo e não para seu próprio umbigo”), ficará ainda mais insustentável o jogo fechado e egoísta adotado pelos EUA e outros: serão eles os responsáveis por um fracasso em Copenhague, e isso nenhum político quer em sua biografia.

- Formato legal do documento a ser assinado: por inúmeras razões, vários atores trabalham aberta ou ocultamente para liquidar o Protocolo de Quioto. Por mais falhas que tenha, é o único documento internacional legalmente vinculante em vigor no campo das mudanças climáticas, e não pode ser perdido. Princípios basilares como o das responsabilidades comuns, porém diferenciadas; da responsabilidade histórica pelas emissões pré Convenção do Clima não podem ser rebaixados a meras intenções ou compromissos “politicamente vinculantes”. A diplomacia brasileira tem um brilhante histórico nessa área e - estando respaldada por uma posição de liderança real do Brasil ao nível de chefes de estado - poderá zelar para que as soluções negociadas sejam adequadas.

- Garantir um processo transparente e evitar o “greenwashing: independentemente da recém ocorrida mudança na presidência da CoP15 (sai Connie Hedegaard, entra o primeiro-ministro Lars Rasmussen) ser ou não um passo já programado, o fato é que isso representa uma ENORME mudança no que acontece em Copenhague. Saímos de uma conferência das Nações Unidas (notórias por seus processos democráticos, mas também por sua demora e incapacidade decisória) e entramos numa reunião de cúpula com mais de 100 chefes de estado (possivelmente mais ágil e firme em suas decisões, mas certamente muito mais problemáticas em termos de democracia interna e transparência). Isso pode ser bom, para avançarmos rapidamente. Mas existem inúmeros motivos para nos preocuparmos com o desvirtuamento desse processo, que corre o risco de transformar-se num vergonhoso jogo de aparências, com o único objetivo de iludir a opinião pública e salvar a cara dos chefes de estado presentes. São indícios disso os evidentes cerceamentos à imprensa e à sociedade civil no recinto da conferência, e os repetidos rumores sobre negociações paralelas e documentos vindos não se sabe de onde.

É nessa hora decisiva que Lula, Dilma, Minc e os outros negociadores brasileiros com voz ativa nessa fase do processo podem, de novo, fazer a diferença, zelando para que as metas indicadas pela ciência e os princípios da justiça climática prevaleçam. Serão eles os nossos olhos e nossas vozes nas negociações de cúpula que encerrarão a CoP 15. Que façam jus ao crédito que de nós receberam.

Rubens Harry Born, coordenador geral, e Aron Belinky, coordenador executivo, da Campanha Global de Ações pelo Clima-Brasil (TicTacTicTac/TckTckTck)"

Fonte: Envolverde/TicTac-Brasil
Blog Minha Casa Meu Mundo

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Marina Silva atrai as atenções em Copenhague

Logo ao chegar a Copenhague, neste domingo (13/12), Marina Silva já tinha compromisso definido. Ela foi uma das principais estrelas do evento organizado pelo movimento Forum Global dos Partidos Verdes, ao lado do polêmico ativista francês José Bové, hoje deputado do parlamento europeu. Como o local da conferência do clima, o pavilhão Bella Center esteve praticamente fechado no domingo, os “verdes” reuniram-se no espaço do Klimaforum, no centro de Copenhague.
Mesmo falando em português, com apenas uma parte da platéia dos partidos verdes utilizando aparelhos de tradução simultânea, a ex-ministra do meio ambiente brasileira, empolgou a platéia e foi bastante ovacionada.
Veja abaixo algumas das suas principais declarações durante a sua apresentação e na rápida entrevista concedida ainda no interior do Klimaforum.

Metas brasileiras
“A proposta brasileira foi estabelecida a partir da grande pressão da sociedade. Nós trabalhamos muito para que o Brasil não deixasse de ter metas. Temos que adotar compromissos efetivos de redução e isso não de forma genérica ou voluntária”.

Código florestal
“Não podemos permitir que o Código Florestal Brasileiro seja alterado, seja mudado, da maneira como estão tentando fazer no Congresso Nacional. Esse seria um retrocesso inaceitável”.

Modelo de desenvolvimento
“É necessário abandonar esse modelo predatório. Não se pode pensar em crescimento com melhorias na educação, na saúde, no emprego, apenas baseado no uso dos combustíveis fósseis. É preciso pensar e trabalhar por um outro modelo de desenvolvimento”.

Compromisso dos líderes em Copenhague
“Os líderes não podem pensar nos interesses políticos e econômicos atuais, sem se comprometer com o futuro. Eles precisam ter a visão de que a humanidade precisa mudar o modo de caminhar, assumindo os desafios do século XXI e sendo capazes de adotar um compromisso de um outro mundo possível”.

Delegação brasileira
“Faço parte da delegação brasileira e estão previstos diversos encontros. Espero poder dar minha contribuição nas negociações que levem a um efetivo compromisso do país com metas de redução”.

Ânimo em Copenhague
“Mais do que otimista eu me considero persistente. Foi assim, com pressões e ações que a posição brasileira mudou para metas definidas e poderá melhorar ainda mais”.

Negociações: inversão de prioridades
“Os países estão tratando de interesses, de limitações de cada um quando a discussão deve partir das limitações enfrentadas pelo planeta. Isso é o que deve ser levado em conta aqui em Copenhague.”

REDD
“É preciso salvaguardar, respeitar os direitos das populações tradicionais, pois ali residem as suas visões e forma de viver. As negociações em torno do REDD devem levar em conta essas comunidades. Precisamos sair dessa convenção com uma estrutura de apoio aos povos tradicionais, que preveja a redução das emissões e ao mesmo tempo a proteção das florestas.
O pagamento por meio dos serviços ambientais é uma boa ideia, mas é preciso cuidado para que invasores de terras públicas não sejam favorecidos com esses benefícios.
Também é preciso que o REDD não seja apenas um mecanismo financeiro, deve-se evitar que uma proposta meramente econômica leve à guerra fiscal entre os estados.
Quanto aos recursos, eles podem ser voluntários ou de mercado. Um sistema misto com doações para REDD como o que é feito com doações do governo da Noruega representa um bom caminho a ser pensado”.

Fonte: Envolverde